Conheça o Projeto Mattics

Sobre o Projeto

O Mattics, um estúdio de games criado na escola pública brasileira, se constitui como um cenário de pesquisa, inovação e formação. Propõe soluções locais a partir da construção de conhecimento matemático e a produção de tecnologia utilizando programação, robótica e materiais de eletrônica a partir de situações investigativas, exploratórias e criativas. Uma das principais construções mobilizada neste ambiente, desde 2015, é a produção do jogo digital feito pelos próprios alunos. Uma dessas situações é o uso de jogos para o tratamento de pacientes com Parkinson em hospitais, possibilitando uma formação mais ampla, menos isolada e mais corresponsável.

O Projeto Mattics nasceu através de uma pesquisa científica e desde então tem permitido aos estudantes da Educação Básica de uma escola pública, localizada em uma cidade da região metropolitana de Goiânia, a construir jogos digitais ao mesmo tempo que os permite a desenvolver  competências do século XXI. É um projeto que possibilita o desenvolvimento do pensamento matemático e do raciocínio lógico e dedutivo. Incentiva o potencial criativo e a autonomia do aluno, além de estimular aprendizagem em grupo. O melhor disso tudo é que o Mattics é um projeto gratuito, sem fins lucrativos e é formado por diferentes profissionais voluntários, entre professores, programadores, empreendedores e pessoal da área médica.

O Início

Primeiro encontro do projeto Mattics 2015
Primeiro encontro do projeto Mattics 2015

Com o Mattics temos por meio de atividades lúdicas e investigativas o terreno fértil para fomentar um ambiente construcionista de aprendizagem que pensa a matemática e a lógica de programação em Scratch construindo significados e dando sentido ao mundo a partir de situações cotidianas do próprio aprendiz. O Mattics é um Projeto de Extensão do Instituto Federal Goiano, campus avançado Ipameri, coordenado pelo professor Greiton Toledo de Azevedo. É um projeto sem fins lucrativos e que visa trazer contribuições à comunidade.

Veja o Teaser do Projeto Mattics

O Mattics não se restringe ao conteúdo matemático em si, mas propõe (e tem) uma proposta mais humana e integrada com as demandas sociais e com as diferentes áreas do conhecimento. Estrutura-se no sentido de produzir jogos a partir de temáticas, buscando uma formação mais ampla, problematizada e contextualizada em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Valores do projeto Mattics

  • Respeito, colaboração e trabalho em equipe
  • Assiduidade e compromisso com a aprendizagem
  • Dedicação, transparência e verdade

Missão

Formar estudantes críticos e conscientes quanto ao fazer e aprender matemática por meio da produção de tecnologias digitais. Envolver o maior número, em qualidade, de alunos e escolas para o desenvolvimento do pensamento pensamento matemático, do raciocínio lógico e dedutivo, além de estimular o gosto pela matemática a partir da construção de jogos digitais.

Objetivos

  • Formar crianças, adolescentes e jovens quanto ao ensino significativo e atual de matemática
  • Engajar estudantes a buscar soluções locais por meio da produção de tecnologias digitais
  • Impulsionar o desenvolvimento do pensamento lógico e dedutivo matemático
  • Incentivar o trabalho em equipe e o espírito colaborativo
  • Contribuir no processo de desenvolvimento criativo e autônomo do aluno no campo da Matemática
  • Fortalecer o gosto pela matemática a partir de uma aprendizagem mais mão na massa e divertida

O MATTICS  propõe a construção de tecnologia NA escola e não PARA escola.

VISÃO/COMPREENSÃO DAS ATIVIDADES DO PROJETO MATTICS

  Atividades desenvolvidas em 2017

Trabalhar com o jogo digital nas aulas de  matemática vai muito além de conceitos isolados e fixados. É uma proposta que não se resume apenas ao conteúdo em si, mas pode possibilitar, em movimento dinâmico, a pesquisa, o questionamento, o debate e a reflexão de ideias e de conceitos mais específicos e/ou mais gerais do currículo de matemática. E é nesse sentido que, no projeto Mattics, entendemos o conteúdo curricular de matemática como um movimento que se constrói à medida que ocorrem os processos de transformação das atividades práticas e que se mostram em significados. E uma dessas atividades que se destacam a partir do uso de jogos digitais é a problematização do conteúdo que se interconecta com outras áreas de conhecimento. É uma transformação que vai além ‘do quadradinho fechado’ e lança luz na contextualização de conceitos e busca conferir aos sujeitos uma participação mais ativa de aprendizagem e mais consonante a sua realidade.

No Mattics, o grande potencial dos jogos digitais não está simplesmente no ato de apenas jogá-los e nem somente na ação de trabalhar com eles. Ao contrário, está no ato de construí-los juntamente com os alunos. Esse tipo de iniciativa apresenta uma ligação mais profundamente entre o conteúdo curricular, jogos digitais e aprendizagem de matemática. Afinal, nessa abordagem os estudantes são os responsáveis pela construção de jogos digitais que, ao construí-lo, pode mobilizar tanto conhecimentos específicos, quanto gerais de matemática, e também podem desenvolver competências, como: autonomia, independência, domínio das tecnologias, etc, além de construir tecnologias por meio da produção de algoritmos. Olhamos assim para a construção de jogos digitais sob a ótica do construcionismo. Este posicionamento nos permite compreender esse processo de construção como não estático e nem linear, mas dinâmico. Acreditamos que atração exercida pelos jogos digitais estimula a curiosidade e a criatividade dos aprendizes.

Os jogos digitais não são apenas  um instrumento para se ensinar as mesmas coisas e os mesmos conteúdos de uma outra forma, mas são ferramentas que mobilizam os conhecimentos dos aprendizes e os encorajam a pensar sobre eles e, sobretudo, compreendê-los. Pensar sobre os conteúdos (aqui, em especial, de matemática, como: ângulos, conjuntos numéricos, sistema cartesiano, áreas, polígonos, perímetros, etc.) e utilizá-los ao longo do jogo é muito diferente do que simplesmente repeti-los ou reproduzi-los em um exercício mecânico qualquer. Isso porque o jogo digital, apesar de seu caráter lúdico e atraente, exige esforço, disciplina e concentração. Exige um pensar diferente para que o desafio proposto seja alcançado e aprendizagem estabelecida.

TRATAMENTO DA DOENÇA DE PARKINSON 

Tendo em vista os fatores da doença de Parkinson quanto a degeneração das capacidades motoras e mentais, os jogos digitais, produzidos no Mattics pelos alunos, em parceira com a Rede de Aprendizagem Criativa Brasileira e Media Lab do Massachusetts Institute of Technology – MIT, são usados como forma de interação com os pacientes, que são encorajados a mexer, a dançar, a pular, a concentrar, analisar eventos e refutar informações não condizentes com o objetivo do jogo. Estes jogos, que são produzidos na escola, têm ajudado os pacientes no tratamento da doença no quais facilitam uma dinâmica que reúna aspectos da fisioterapia, como: da concentração, do movimento, do diálogo e motivação.

As oficinas feitas com o uso destes jogos têm auxiliado também na redução e controle da lentidão de movimentos e tremores a partir de gestos físicos incorporados por profissionais da área. Os jogos produzidos têm múltiplos níveis de dificuldade para que a equipe clínica possa personalizá-los aos movimentos/habilidades específicas a cada portador da doença. Nesse sentido, o jogo digital não é usado de forma independente e isolado, é mobilizado pela interação entre os alunos e pacientes, que conta com o apoio de diferentes profissionais voluntários, entre médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, professores e pesquisadores, técnicos em enfermagem, programadores, matemáticos, entre outros, formando uma rede coletiva-pensante para a permanente recuperação e retardamento da doença de Parkinson.

Assista uma experiência do projeto Mattics durante a sessão/terapia no hospital